REINO UNIDO REGISTRA INFLAÇÃO NEGATIVA

Se no Brasil uma das maiores preocupações atuais é com uma inflação acima da meta imposta pelo governo, o Reino Unido vive o outro lado da moeda.

Foto: BBC

Dados oficiais divulgados na ultima terça-feira apontam que os britânicos entraram em período de inflação negativa pela primeira vez desde 1960.

Os preços ao consumidor britânico caíram, em média, 0,1% em abril em relação ao mesmo mês no ano passado. A queda é resultado dos preços mais baixos de energia e alimentos no mercado internacional, além da valorização da libra esterlina.

Por aqui, a inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) foi de 4,56% nos quatro primeiros meses do ano, já superando o centro da meta estabelecida pelo governo para o ano inteiro (4,5%). O acumulado da inflação nos últimos 12 meses é de 8,17%.

Mas será que a situação vivida pelo Reino Unido é motivo de comemoração – apesar de itens como gasolina, comida e passagens aéreas estarem mais baratas lá do que há um ano?

Entenda mais sobre a deflação.

O Reino Unido vive deflação?

Por enquanto, parece mais ser um caso de “inflação negativa” – um fenômeno temporário – do que deflação, considerado um cenário mais duradouro.

O ministro das Finanças britânico, George Osborne afirmou nesta terça que a queda nos preços não chega a ser uma “deflação danosa” – uma espiral de preços decrescentes que prejudique a economia -, apesar de o cenário exigir “vigilância”.

Analistas preveem que a inflação volte a dar as caras no país dentro de alguns meses, ou seja, a queda de preços atual tende a ser um alívio temporário aos consumidores.

A inflação negativa é algo bom?

Neste caso específico, o presidente do Banco da Inglaterra (o banco central britânico), Mark Carney, disse que a inflação negativa é “inequivocadamente boa”, já que a baixa nos preços do petróleo e da comida tende a ser benéfica para todos. Até mesmo agricultores podem se beneficiar, porque eles também têm de comprar insumos e combustível.

Em média, a economia feita na compra desses itens deve deixar cada britânico com 140 libras (R$ 661) a mais no bolso no ano.

Em consequência, outros setores – como os de moda e entretenimento – podem se beneficiar desse excedente.

Quando a inflação negativa é ruim?

Comida e combustível são itens que todos temos de comprar para consumir de imediato. Mas outros bens, como televisores e carros, são compras que exigem mais tempo e dinheiro.

Se os preços gerais caem por um período longo, o raciocínio do consumidor é que vale a pena esperar para comprá-los. E se todos adiarem seus gastos – os quais representam cerca de 70% da atividade econômica britânica -, a economia desacelera.

O economista Roger Bootle diz que a inflação negativa tem um lado bom e outro ruim: “O ruim é quando a demanda econômica é tão fraca que as empresas são forçadas a reduzir preços e salários. O bom é quando a inflação negativa deriva da queda no custo dos importados, como é o caso agora”.

Fonte: BBC UK

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